Mercosul acelera novos acordos comerciais: a logística sul-americana está prestes a ganhar novas rotas?

Escrito por All Connect | Sep 16, 2026, 6:12:11 PM

O comércio internacional está passando por uma fase de reorganização. Tensões geopolíticas, tarifas, mudanças nas cadeias produtivas e a busca por fornecedores alternativos estão fazendo países e empresas diversificarem seus parceiros comerciais.

Nesse cenário, o Mercosul vem ampliando sua agenda de acordos internacionais, movimento que pode abrir novos mercados para empresas sul-americanas — e também transformar os fluxos logísticos da região.

Em 2026, o bloco avançou em diferentes frentes. O acordo com a União Europeia foi assinado em janeiro, as negociações com o Canadá avançaram, um novo processo de negociação foi iniciado com o Japão, enquanto o acordo com Singapura já entrou em vigor bilateralmente para Paraguai e Uruguai.

Mais do que uma pauta diplomática, esses movimentos podem representar mudanças concretas para importadores, exportadores e operadores logísticos.

Mais mercados, mais possibilidades

A lógica dos acordos comerciais é reduzir barreiras e facilitar o intercâmbio entre os países participantes.

Quando tarifas são reduzidas, regras são simplificadas e produtos passam a ter melhores condições de acesso a determinados mercados, novas operações podem se tornar economicamente viáveis.

O acordo Mercosul–União Europeia, por exemplo, prevê que a UE elimine tarifas para 92% das exportações do bloco, além de conceder acesso preferencial para outros 7,5%.

Já as negociações iniciadas com o Japão buscam ampliar o acesso aos mercados de produtos agrícolas e industriais, além de incentivar investimentos e maior integração das cadeias produtivas. O comércio entre Mercosul e Japão movimentou US$ 13,7 bilhões em 2025.

Com mais mercados acessíveis, surge uma consequência natural: a logística precisa acompanhar essa transformação.

Novos acordos podem criar novos fluxos logísticos

Hoje, grande parte da infraestrutura logística sul-americana foi desenvolvida em torno de corredores comerciais já consolidados.

Mas quando novos mercados ganham relevância, empresas começam a avaliar outras combinações de portos, rotas marítimas, centros de distribuição e modais de transporte.

Uma empresa brasileira ou paraguaia que passe a exportar mais para mercados asiáticos, por exemplo, pode começar a analisar não apenas os portos tradicionais do Atlântico, mas também alternativas de conexão com o Pacífico.

É justamente nesse contexto que projetos como o Corredor Bioceânico ganham ainda mais importância.

A expansão dos acordos comerciais e a criação de novas infraestruturas podem acontecer simultaneamente, formando uma nova configuração logística para a América do Sul.

O Canadá também entra nesse mapa

Outro mercado importante é o canadense.

Em maio de 2026, Mercosul e Canadá realizaram sua décima rodada de negociações para um Tratado de Livre Comércio. As discussões incluem comércio de bens e serviços, regras de origem, comércio eletrônico, telecomunicações, serviços financeiros e desenvolvimento sustentável.

O intercâmbio de bens entre os dois mercados chegou a US$ 12,6 bilhões em 2025, sendo US$ 8,7 bilhões em exportações do Mercosul.

Um eventual acordo pode estimular novos fluxos comerciais entre a América do Sul e a América do Norte, aumentando também a demanda por soluções logísticas capazes de conectar essas regiões de maneira competitiva.

A Ásia ganha cada vez mais importância

A aproximação com Japão e Singapura também merece atenção.

O acordo Mercosul–Singapura representa uma conexão direta com um dos principais hubs comerciais e logísticos do Sudeste Asiático. Em março de 2026, o tratado entrou em vigor bilateralmente para Paraguai e Uruguai, após a conclusão dos respectivos processos internos.

Já as negociações com o Japão podem criar uma área de livre comércio envolvendo aproximadamente 400 milhões de pessoas e um PIB combinado de US$ 7 trilhões, segundo o próprio Mercosul.

Para empresas sul-americanas, essa aproximação com a Ásia pode estimular tanto exportações quanto novas alternativas de fornecimento.

O que isso significa para as empresas?

Novos acordos comerciais não significam que as rotas atuais deixarão de existir.

Significam que mais alternativas podem entrar na mesa.

Uma empresa poderá comparar diferentes portos, corredores terrestres, serviços marítimos e mercados fornecedores antes de definir sua estratégia.

E essa decisão não deverá considerar apenas o preço do frete.

Transit time, disponibilidade de espaço, frequência dos navios, custos aduaneiros, regras de origem, infraestrutura e previsibilidade precisam fazer parte da análise.

Em determinados casos, uma nova rota pode reduzir custos. Em outros, pode oferecer maior segurança ou diminuir a dependência de um único corredor logístico.

A logística sul-americana está mudando?

Ainda é cedo para determinar quais rotas serão efetivamente transformadas, pois muitos acordos dependem de negociações, ratificações e implementação.

Mas a direção é clara: o Mercosul está buscando ampliar sua integração comercial com diferentes regiões do mundo.

Ao mesmo tempo, a América do Sul investe em corredores rodoviários, portos, conexões internacionais e infraestrutura para tornar essa integração possível.

Para importadores e exportadores, acompanhar essas mudanças pode significar identificar oportunidades antes que novos fluxos estejam completamente consolidados.

Na All Connect, acompanhamos a evolução do comércio internacional, dos acordos comerciais e das principais rotas para ajudar nossos clientes a avaliar novas possibilidades para suas operações.

Quando novos mercados se abrem, novos caminhos também precisam ser construídos. E a logística estará no centro dessa transformação.